ELEIÇÕES & JUSTIÇA ELEITORAL

Não passados muitos dias dos turnos eleitorais, ainda é tempo de se fazer alguns comentários e observações. Nestas eleições legislativas, na Cidade Azul, aconteceu pior do que previ. Quanto a deputados estaduais e federais, sem prestigiar os candidatos da terra.  Em 06/09/18 (“Eleições & Pesquisa”), comentei que o eleitor rioclarense vota em todos os candidatos, de fora. Ressaltei que se Aldo Demarchi não tivesse votos em outros municípios não seria eleito.

Os candidatos locais tiveram votação pífia. O nosso antigo e sempre deputado estadual teve menos de um terço da sua votação de 2014 e, péssimo para Rio Claro, não se reelegeu, mesmo com votos em vários municípios.

Uma candidata à assembléia legislativa, a mais votada no Estado e no país, teve em Rio Claro doze mil sufrágios. Pelo que se sabe, nunca esteve em nossa Cidade e, certamente, nunca estará de forma produtiva.

Já outro candidato a federal, eleito com muitos votos rioclarenses, propagou nas redes sociais que teria propiciado verba para a reforma da Estrada do AjÁpi. Sim, acento agudo no “A”, bem indicando como conhece nossa cidade. É outro de que só teremos notícias dentro de 4 anos.

Enfim, continuamos sem deputado federal, com o agravante de que também não temos representante na Assembléia Legislativa. Fiquem certos: isto nos fará muita falta.

Por outro lado, desde que sou eleitor (1966), tendo prestado serviço como Mesário, logo no primeiro pleito em que votei e, posteriormente, como Juiz Eleitoral, não me canso de admirar o preciso funcionamento de nossa Justiça Eleitoral.

Durante muitos anos, com a votação, contagem e a totalização manual dos votos, e hoje com as urnas eletrônicas, e resultados quase imediatos, fico maravilhado que tudo funcione perfeitamente.

No país, perto de dois milhões de Mesários coletando votos, em mais de 400.000 secções eleitorais no país, em 95.000 locais de votação. Milhares de Magistrados, funcionários de Tribunais, e a multidão de eleitores convocados, todos trabalhando quase que simultaneamente, para se chegar a resultado por todos aceitos.

Para mim isto se mostra maravilhoso. Uma ou outra reclamação (sempre dos perdedores) e sem razão, não macula o processo. A vontade do povo é manifestada livremente. Certo que com muito trabalho, e com despesas gigantescas (imaginem, apenas, o transporte de urnas eletrônicas para todos os recantos deste país continente). Mas os resultados acabam sendo aceitos por todos, e nunca questionados seriamente.

A Justiça Eleitoral só merece elogios do povo brasileiro. Interessante é que tudo corre tão bem e tranqüilo, que ninguém nota a importância e a presteza desta Justiça Especializada.

Só para que os leitores tenham uma pálida idéia, nesta última eleição, em Rio Claro, com duas Zonas Eleitorais (110ª. e 288ª.) trabalharam dois Juízes Titulares, funcionários dos dois cartórios eleitorais (duas dezenas ao menos), e em torno de dois mil eleitores e eleitoras convocados para as mesas coletoras de votos (aproximadamente duzentas em cada Zona Eleitoral).

Avaliem a organização disto tudo, com convocações, orientações, substituições, etc. Afora a logística para distribuir, a tempo e a hora, mais de 400 Urnas Eletrônicas, em mais de cinquenta locais de votação.

Graças a estes heróis anônimos, e não remunerados (os convocados) é que as eleições são confiáveis.

Queira Deus seja sempre assim. Observo, sem saudades, que vivi nos tempos plúmbeos, em que o eleitor não elegia de forma livre e direta, Governador e Presidente da República. Os deputados, obedientes, votavam indiretamente, nos candidatos escolhidos, ou tolerados, pelo ditador de Plantão.

 O Autor é Desembargador Aposentado (TJ/SP) e

Advogado militante nesta Comarca (OAB/SP 25.686).

E-mail: oliveiraprado@aasp.org.br

WWW.oliveirapradoadvogados.com.br

Publicado em 28/11/2018, Jornal Cidade, Página 02.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *